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Auxílio de R$ 600 para vereadores de Além Paraíba gera revolta e acusações de privilégio

Autoria: Redação  |  Fotos: Divulgação

População critica decisão da Câmara, que aprovou benefício em causa própria enquanto cidade enfrenta dificuldades econômicas.

 

A decisão da Câmara Municipal de Além Paraíba de aprovar um auxílio-alimentação mensal de R$ 600 para os próprios vereadores provocou forte indignação entre os moradores do município. O benefício, aprovado em 9 de março de 2026, foi amplamente interpretado como mais um privilégio político em contraste com a realidade econômica local, marcada por serviços públicos fragilizados e dificuldades enfrentadas pela população.

O Projeto de Resolução nº 001/2026 institui o pagamento mensal do auxílio, que será somado ao subsídio já recebido pelos parlamentares — mais de R$ 7,3 mil mensais — além de estrutura de gabinete, assessores e diárias que podem chegar a R$ 850 dentro do estado e R$ 1.050 em Brasília, sem contar passagens e outras despesas.

A aprovação, vista como legislação em causa própria, reacendeu o debate sobre ética, prioridade e responsabilidade fiscal no município.

 

Aprovação quase unânime, mas com forte rejeição popular

O projeto foi aprovado por ampla maioria, com apenas um voto contrário, do vereador Oberdan Moreira Rocha (PT). Ele classificou a medida como inadequada e desnecessária, afirmando que o salário atual já é suficiente. Oberdan também anunciou que não fará uso do benefício e devolverá qualquer valor eventualmente creditado, que já foi feito duas vezes.

Após a repercussão negativa, outro vereador, Fábio Filgueiras Neto, que havia votado a favor, declarou publicamente que também não pretende utilizar o auxílio, justificando que seu voto favorável ocorreu por acreditar que “alguns colegas necessitam do benefício”.

A justificativa não convenceu parte da população, que reagiu com críticas nas redes sociais e nas ruas.

 

Auxílio é apresentado como indenização, mas população vê como privilégio

O texto do projeto afirma que o auxílio possui natureza indenizatória, citando entendimentos do STF, e que não configuraria aumento salarial. No entanto, a Constituição determina que vereadores devem ser remunerados em parcela única, o que alimentou ainda mais o debate sobre a legalidade e a moralidade da medida.

O benefício prevê ainda:

  • restrições em caso de afastamento;
  • necessidade de comprovação de despesas;
  • possibilidade de acréscimo de até 200% em dezembro, caso haja disponibilidade financeira.

A previsão de aumento no fim do ano foi um dos pontos mais criticados pelos moradores.

 

Tentativa semelhante já havia sido rejeitada em 2025

A iniciativa retoma uma proposta apresentada em 2025, que inicialmente incluía vereadores, mas foi modificada após pressão interna e externa, mantendo o benefício apenas para servidores do Legislativo. Na época, novamente, o vereador Oberdan foi uma das vozes contrárias à inclusão dos parlamentares.

A volta do tema em 2026, agora aprovada, foi vista como uma manobra para retomar um privilégio anteriormente barrado.

População reage: “Enquanto o povo luta para sobreviver, eles aumentam os próprios benefícios”

A repercussão foi imediata. Moradores expressaram indignação diante do contraste entre o benefício aprovado e a realidade da cidade, que enfrenta desafios como:

  • dificuldades na saúde pública;
  • falta de investimentos em infraestrutura;
  • desemprego e informalidade;
  • serviços municipais sobrecarregados.

Nas redes sociais, críticas se multiplicaram:

“Enquanto você luta para fechar o mês, enfrenta filas na saúde e lida com a insegurança no emprego, estes vereadores aprovaram mais um benefício para os próprios bolsos.”

“Quando eles vão olhar para as necessidades da população com a mesma rapidez que olham para os próprios privilégios?”

“A cidade quer saber: cadê a prioridade? Cadê a transparência?”

 

Crise de confiança e cobrança por responsabilidade

A aprovação do auxílio de R$ 600 reforçou o sentimento de distanciamento entre representantes e representados. Para muitos moradores, a decisão demonstra falta de sensibilidade e desconexão com a realidade local.

O episódio reacende discussões sobre:

  • ética na gestão pública;
  • limites de benefícios a agentes políticos;
  • transparência no uso do dinheiro público;
  • necessidade de revisão das prioridades legislativas.

Enquanto isso, o benefício já está previsto para entrar em vigor, mesmo diante da forte desaprovação popular.

 

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