mai 19 2026 Auxílio de R$ 600 para vereadores de Além Paraíba gera revolta e acusações de privilégio Autoria: Redação | Fotos: Divulgação População critica decisão da Câmara, que aprovou benefício em causa própria enquanto cidade enfrenta dificuldades econômicas. A decisão da Câmara Municipal de Além Paraíba de aprovar um auxílio-alimentação mensal de R$ 600 para os próprios vereadores provocou forte indignação entre os moradores do município. O benefício, aprovado em 9 de março de 2026, foi amplamente interpretado como mais um privilégio político em contraste com a realidade econômica local, marcada por serviços públicos fragilizados e dificuldades enfrentadas pela população. O Projeto de Resolução nº 001/2026 institui o pagamento mensal do auxílio, que será somado ao subsídio já recebido pelos parlamentares — mais de R$ 7,3 mil mensais — além de estrutura de gabinete, assessores e diárias que podem chegar a R$ 850 dentro do estado e R$ 1.050 em Brasília, sem contar passagens e outras despesas. A aprovação, vista como legislação em causa própria, reacendeu o debate sobre ética, prioridade e responsabilidade fiscal no município. Aprovação quase unânime, mas com forte rejeição popular O projeto foi aprovado por ampla maioria, com apenas um voto contrário, do vereador Oberdan Moreira Rocha (PT). Ele classificou a medida como inadequada e desnecessária, afirmando que o salário atual já é suficiente. Oberdan também anunciou que não fará uso do benefício e devolverá qualquer valor eventualmente creditado, que já foi feito duas vezes. Após a repercussão negativa, outro vereador, Fábio Filgueiras Neto, que havia votado a favor, declarou publicamente que também não pretende utilizar o auxílio, justificando que seu voto favorável ocorreu por acreditar que “alguns colegas necessitam do benefício”. A justificativa não convenceu parte da população, que reagiu com críticas nas redes sociais e nas ruas. Auxílio é apresentado como indenização, mas população vê como privilégio O texto do projeto afirma que o auxílio possui natureza indenizatória, citando entendimentos do STF, e que não configuraria aumento salarial. No entanto, a Constituição determina que vereadores devem ser remunerados em parcela única, o que alimentou ainda mais o debate sobre a legalidade e a moralidade da medida. O benefício prevê ainda: restrições em caso de afastamento; necessidade de comprovação de despesas; possibilidade de acréscimo de até 200% em dezembro, caso haja disponibilidade financeira. A previsão de aumento no fim do ano foi um dos pontos mais criticados pelos moradores. Tentativa semelhante já havia sido rejeitada em 2025 A iniciativa retoma uma proposta apresentada em 2025, que inicialmente incluía vereadores, mas foi modificada após pressão interna e externa, mantendo o benefício apenas para servidores do Legislativo. Na época, novamente, o vereador Oberdan foi uma das vozes contrárias à inclusão dos parlamentares. A volta do tema em 2026, agora aprovada, foi vista como uma manobra para retomar um privilégio anteriormente barrado. População reage: “Enquanto o povo luta para sobreviver, eles aumentam os próprios benefícios” A repercussão foi imediata. Moradores expressaram indignação diante do contraste entre o benefício aprovado e a realidade da cidade, que enfrenta desafios como: dificuldades na saúde pública; falta de investimentos em infraestrutura; desemprego e informalidade; serviços municipais sobrecarregados. Nas redes sociais, críticas se multiplicaram: “Enquanto você luta para fechar o mês, enfrenta filas na saúde e lida com a insegurança no emprego, estes vereadores aprovaram mais um benefício para os próprios bolsos.” “Quando eles vão olhar para as necessidades da população com a mesma rapidez que olham para os próprios privilégios?” “A cidade quer saber: cadê a prioridade? Cadê a transparência?” Crise de confiança e cobrança por responsabilidade A aprovação do auxílio de R$ 600 reforçou o sentimento de distanciamento entre representantes e representados. Para muitos moradores, a decisão demonstra falta de sensibilidade e desconexão com a realidade local. O episódio reacende discussões sobre: ética na gestão pública; limites de benefícios a agentes políticos; transparência no uso do dinheiro público; necessidade de revisão das prioridades legislativas. Enquanto isso, o benefício já está previsto para entrar em vigor, mesmo diante da forte desaprovação popular.