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Ex-diretor da JBS confirma esquema para campanha de Garotinho em 2014

Autoria: Redação  |  Fotos: Web



Propina, contrato fraudulento com a empresa de serviços de informática Ocean Link para repassar R$ 3 milhões para a campanha de Anthony Garotinho ao Governo do Estado em 2014 e liberação de maneira rápida, sem ao menos passar pelos trâmites “normais” do procedimento legal. Estes foram alguns dos fatos confirmados pelo ex-executivo da JBS, Ricardo Saud, no último dia 21 de fevereiro, quando prestou depoimento dentro das investigações envolvendo a operação Caixa d’Água. Saud — que à época estava preso na Papuda — confirmou que foi ele quem escreveu em uma nota fiscal fria o nome “Garotinho”, para identificar a qual pagamento se referia. Ele foi ouvido através de precatória, no 3º Juizado Especial Criminal de Brasília e confirmou “100%” o esquema revelado pelo empresário campista André Luiz da Silva Rodrigues, o Deca, delator da operação, que levou o casal Garotinho e mais seis pessoas à cadeia em novembro do ano passado. Deca é um dos sócios da Ocean Link e proprietário da Working, que tinha contrato com a Prefeitura de Campos na gestão da prefeita Rosinha. Nesta quarta-feira, dia em que completou 58 anos, o ex-governador, a esposa e os demais réus tinham interrogatório marcado às 13 horas no Fórum de Campos.

O depoimento de Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da JBS, ocorreu com a presença de seus advogados, da defesa do casal Garotinho, representada por Carlos Azeredo, e advogados de outros réus. Primeiro, foi lido parte do depoimento prestado por Saud à Polícia Federal (PF), no Rio, e que gerou a denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE).

Ao responder questionamentos formulados, por escrito, pelo Ministério Público, Saud explicou que havia um acordo entre a J&F, conglomerado ao qual pertence a JBS, e o PT para repasse de dinheiro destinado à campanha da então presidente Dilma Roussef, candidata à reeleição. Ainda segundo Saud, o PT “comprou” o PR em troca de apoio. Em princípio seriam R$ 20 milhões, mas, ao final, acabou sendo R$ 40 milhões que seriam utilizados para eleger a presidente Dilma (PT), o vice-presidente Michel Temer (PMDB), além do maior número de deputados federais e senadores e não contemplaria a campanha de Garotinho ao Estado.

De acordo com relato de Saud, o presidente nacional do PR, Antônio Carlos Rodrigues, ficou umas três semanas tentando não dar o dinheiro a Garotinho, mas depois afirmou que o ex-governador estava pressionando para receber R$ 4 milhões, com o que Saud concordou. Rodrigues, então, teria colocado o genro, Fabiano Alonso, em contato com o executivo para operacionalizar o repasse da propina. A solução encontrada foi a simulação de um contrato entre a Ocean Link e a JBS.

Quando a nota fiscal chegou, ao verificar o baixo capital social da Ocean, Ricardo Saud disse que contestou e sugeriu que o pagamento fosse parcelado. Porém, Fabiano Alonso teria afirmado que levou “uma bronca” de Garotinho, que queria o pagamento imediato. Operações deste tipo, segundo o ex-executivo, tinham que passar por quatro diretorias da JBS, além do compliance — um comando interno segundo o qual é preciso estar em conformidade com leis e regulamentos. Neste caso específico, ainda segundo Saud, isso não aconteceu e R$ 3 milhões acordados — cerca de R$ 2,6 milhões efetivamente — foram pagos de uma só vez no dia seguinte, surpreendendo até mesmo os diretores da JBS.

Saud afirmou que o serviço que consta no contrato não foi realizado pela Ocean e nem a JBS tinha interesse neste sentido. O objetivo foi tão somente, segundo ele, o repasse do dinheiro. Ele disse, ainda, que conhece apenas o ex-senador Antônio Carlos Rodrigues e o genro Fabiano e que nunca esteve com Garotinho ou com a prefeita Rosinha, nem com algum sócio ou representante da Ocean.

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